Blog - Livre Arbítrio

O Livre Arbítrio informa, imparcialmente, todos os assuntos, mas é um agente desafiador a favor da ética, da moralidade e da justiça. Tratamos de assuntos da área do direito, mas temos momentos de descontração, de cultura, de risos, de curiosidades...

Espaço da Ética…Prof.Celso: Infância.

22 de agosto de 2010

Recentemente, a mídia divulgou com muita ênfase um projeto de lei encaminhado pelo Presidente da República ao Poder Legislativo, que visa modificar o Estatuto da Criança e do Adolescente no sentido de vetar aos pais usar castigos corporais de qualquer tipo na educação dos filhos, o que vulgarmente se denominou “o veto à palmada pedagógica”.

Em termos jurídicos, o projeto define como criminosa a “ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente.”

Aliás, foi muito “sintomático” que, no auge da abordagem sobre o tema, duas revistas de grande circulação terem estampado em suas capas: “Mas nem uma Palmadinha ? – Vai ser lei, mas a educação e a felicidade deles ainda dependem do pulso dos pais” e “O reinado do filho único – O Brasil já é uma país de crianças sem irmãos. Especialistas explicam que isso pode ser bom e ensinam como criá-las sem que seja solitárias, egoístas e mimadas.”

Ao me deparar com toda essa repercussão, fiquei totalmente desapontado, não porque eu seja a favor ou contra a tal “palmada pedagógica” e muito menos por ter autoridade para discorrer sobre a quantidade ideal de filhos para se ter.

O meu desapontamento está no fato de que com a relevância dada a esse projeto do governo, se tirou o foco de um tema que, no meu ponto de vista, é muito, mas muito mais relevante: a educação infantil.

Explico: recentemente, duas leis federais alteraram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para instituírem a obrigatoriedade da matrícula no ensino fundamental aos seis anos de idade (Lei nº 11.114, de 16 de maio de 2005) e a ampliação deste nível de ensino para nove anos de duração (Lei nº 11.274, de 7 de fevereiro de 2006).

Com estas alterações o sistema educacional brasileiro tem passado por uma verdadeira balbúrdia, notadamente na definição de qual seria a “data de corte” para a entrada no ensino fundamental (ou seja, seis anos completos, a completar, qual data de aniversário etc.) e também na preparação do ensino fundamental para receber estas crianças (há casos de escolas que receberam estas crianças em mobílias adaptadas: elas sentam em cadeiras onde nem ao menos conseguem colocar os pés no chão).

E, se não bastasse estas indefinições, não é que “surgiu” o Projeto de Lei do Senado nº 414/2008, de autoria do Senador Flávio Arns que, com o fundamento de adequar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) às alterações trazidas pela Emenda Constitucional nº 53 de 19/12/2006, reduz a idade de término da educação infantil para 4 (quatro) anos de idade e institui a obrigatoriedade de início do ensino fundamental aos 5 (cinco).

Desculpem a franqueza e com muito respeito aos fundamentos lançados tanto no referido projeto de lei como no Parecer nº 2.532 de 2009 de autoria do senador Sérgio Zambiasi, que votou pela aprovação do projeto de lei, mas querem violentar a infância brasileira!

Minha indignação é tamanha que, pela primeira vez na vida (e realmente fazendo valer a essência da palavra cidadania), estive fazendo coro dentro da Rede Nacional pela Primeira Infância, no Senado Federal e conversei pessoalmente com os Senadores Flávios Arns, Sérigo Zambiasi, Fátima Cleide e com alguns deputados federais, dentre os quais o Deputado Ângelo Vanhoni, presidente da Comissão da Educação na Camara dos Deputados, na busca incessante pela não-aprovação do projeto de lei.

A Educação Infantil é o alicerce da formação da criança, pois diz respeito a uma fase importante do desenvolvimento, em que o corpo se prepara e se habilita para o aprendizado intelectual. Como diz o ditado africano, “a grama não cresce mais depressa se puxada.”

Muito mais grave do que o tema da “palmada pedagógica” é o “estupro da educação infantil”; muito mais grave do que a discussão sobre saber se é melhor filho único ou vários filhos é a perda de um ambiente saudável de sociabilização e educação moral das crianças.

Aliás, até o nome “Jardim da Infância” foi substituido por Educação Infantil. Que pena! A metáfora com o jardim é muito pertinente pois é no jardim que se encontram plantas, flores que têm que ser regadas, cuidadas, para crescer e desabrochar exatamente como as crianças na sua primeira infância.

Não consigo entender porque até com as crianças o interesse financeiro vem em primeiro lugar (estas alterações tem como pano de fundo os recursos do FUNDEF/FUNDEB: quanto mais alunos em escola, mais recursos públicos são direcionados para os Estados. Daí a maior razão para o aumento de alunos no ciclo da educação fundamental: ainda que não haja, nas crianças, qualquer condição física e psicológica de pular a fase importantíssima da educação infantil, sua matrícula obrigatória na primeira série aos cinco anos de idade serve apenas para que tais recursos financeiros sejam direcionados segundo interesses que não tem nada a ver com o das crianças).

E na tentativa de sensibilzar os holofotes de toda a sociedade para este tema, trago um texto anônimo, que recebi sobre o título e me emocionou muito:

Tudo o que hoje preciso realmente saber aprendi no JARDIM DE INFÂNCIA.

Tudo o que homem precisa realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontra no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo o dia. Estas são as coisa que lá aprendi:

Compatilhe tudo * Jogue dentro das regras * Não bata nos outros * Coloque as coisas de volta onde pegou * Arrume a bagunça * Não pegue as coisas dos outros * Peça desculpas quando machucar alguém * Lave as mãos antes de comer * Dê descarga * Biscoitos quentinhos e leite frio fazem bem para você * Respeito os outros * Não minta * Evite fofocas * Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco e pense um pouco, e desenhe, pinte, cante, dance, brinque e trabalhe um pouco todos os dias * Tire uma soneca às tardes * Quando sair, cuidado com os carros, dê a mão e fique junto * Repare nas maravilhas da vida * Lembre-se da sementinha no copinho plástico: as raízes descem, a planta sobe e ninguém sabe realmente como ou porquê, mas todos somos assim.

O peixinho dourado, o hamster, os camundongos brancos e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem. NÓS TAMBÉM.

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Pegue qualquer um desse itens, coloque-o em termos mais adutos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo ou ao seu mundo e verá como ele é verdadeiro, claro e firme.

Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos com leite todos os dias, por volta das três da tarde pudéssemos nos deitar, com um cobertorzinho, para uma soneca.

Ou se todos os GOVERNOS tivessem, como regra básica, devolver todas as coisas ao lugar em que elas se encontram e ARRUMAR A BAGUNÇA AO SAIR.

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E é sempre verdade, não importando a idade: ao sair para o mundo, é sempre melhor dar as mãos e ficarmos juntos “

Espaço da ética….Prof.Celso: Família.

27 de junho de 2010

Depois de anos do exercício da advocacia em diversas áreas, hoje não titubeio em afirmar que a área que mais me desafia é a área de família. E o desafio vem aumentando dia a dia.

Isto porque, se de um lado eu percebo nitidamente que é a área do direito em que os advogados das partes mais se aproximam na busca de uma saída para os mais diversos imbróglios, por outro lado é o tipo de litígio em que se rompem com maior altivez as emoções. E resolver controvérsias, pontos de vistas e opiniões com o predomínio da emoção não é nada fácil.

Pior ainda no caso de separações litigiosas com filhos menores. Estes filhos muitas vezes passam a ser objeto de manipulação de lado a lado e, mesmo que inconscientemente, viram moeda de troca.

E é justamente aí que reside o meu maior desafio, pois nestes processos o objetivo maior não é uma simples vitória do tipo valor da pensão, guarda de filhos ou divisão patrimonial, mas sim a preservação de um mínimo de relacionamento que permita, a esta família que se desmancha, uma convivência mínima em prol da educação e criação dos filhos. Afinal, queiram ou não, não existe ex-filho: os filhos são para sempre.

Na sociedade atual tudo parece convergir para a fragilização da estrutura familiar. Neste sentido, a maior independência financeira tanto do homem quanto da mulher, o sexo fácil e as leis.

Mas, em vez de assumirmos estes reais fatos, o ibope e sensionalismo estão nas explicações científicas. Dou dois exemplos.

A edição de maio da ótima revista Super Interessante, cuja matéria de capa foi o Amor, traz estudos que tentam identificar o par ideal (com maior taxa de felicidade e menor risco de separação). Estudos matemáticos da Universidade de Genebra revelam que o idel é a mulher ser 5 anos mais jovem e 27% mais inteligente do que o homem. Estatísticos da Universidade de Harvard apontam que se você se relacionar com 100 pessoas durante a vida, suas chances de encontrar o par ideal só chegam ao auge na 38ª relação. E uma estudo da Universidade do Tennessee descobriu que quando a mulher é linda e o homem apenas razoável (aliás, o que é razoável?) o casal se comporta de forma mais positiva, com mais harmonia e companheirismo.

Em 24 de maio, sob o título de “a ciência por trás de uma união feliz”, o Jornal Folha de São Paulo publicou diversas pesquisas em andamento sobre o tema. Em uma delas, “ Hasse Walum, biólogo do Instituto Karolinska, na Suécia, estudou 552 duplas de gêmeos a fim de aprender mais sobre um gene relacionado à regulagem da vasopressina, um hormônio cerebral. Os resultados indicam que homens portadores de uma determinada variação do gene tinham menor probabilidade de casar, e que aqueles que portavam o gene e eram casados apresentavam maior probabilidade de enfrentar problemas conjugais.”

E, se não bastasse o foco da mídia, creio que fundamentalmente por gerar mais interesse da população e, assim, mais venda de periódicos, nas explicações científicas sobre os relacionamentos amorosos, começam a surgir iniciativas que me deixam perplexo.

Como a realização de uma feira especializada em divórcio (”Ex? Punto e a Capo”, ou algo como “Virando a Página”) na cidade italiana de Milão, que ocorreu no segundo final de semana do mês de maio. O objetivo do evento é ajudar casais que desejam o divórcio.

Minha perplexidade é que a tal da ajuda não tem como meta aconselhamentos no sentido de melhorar o relacionamento do casal e assim evitar o divórcio. Pelo contrário, além de resolver a burocracia legal, o evento conta com serviços que incluem aconselhamentos de como se adaptar novamente à vida de solteiro e spa para levantar a autoestima.

Não que eu seja contra o divórcio e pregue que um casal deva viver junto, porém infeliz para o resto da vida. Em absoluto. O meu ponto é justamente outro, ou seja, questionar o que a sociedade tem feito em prol do casamento.

Neste sentido, outro dia, recebi um e-mail de um advogado, colega de mestrado, com o seguinte pensamento: “ Já percebeu? Temos lei do divórcio, lei do concubinato, projeto de lei da homofobia, tese sobre investigação de paternidade, proteção à menor gestante, mas não temos lei para proteger a família. Por quê? Porque ainda não aprendemos a importância desta instituição.”

E aí é sintomático, além do aumento crescente do número de separações e divórcios, o que mais chama a atenção é o fato do pouco tempo de vida a dois antes da ruptura. Parece que, ao sinal do primeiro problema, ao invés do emprego do diálogo e da tolerância, surge a palavra separação.

Tanto que surgem casos, como a separação amigável de um casal em que atuei alguns anos atrás. Poucos meses depois da separação, eu estava no Shopping Center fazendo compras de Natal quando encontro o casal andando de mãos dadas. Eu e o casal nos saudamos, porém eu fiquei realmente sem entender nada. No dia seguinte o marido me liga e diz que tinha se reconciliado com a mulher. Fiquei feliz da vida e, como que por dever de ofício, informei que havia um procedimento judicial a ser adotado de restabelecimento da sociedade conjugal. E qual não foi minha surpresa ao ouvir que eles se reconciliaram mas viveriam separados e cumprindo as cláusulas dos termos da separação, pois ao se estipular a pensão alimentícia o casal parou de brigar, pois haviam descoberto que o motivo de seu desentendimento era a questão financeira, e com esta “definição financeira” trazida pela fixação da pensão alimentícia, não havia mais motivos para briga do casal.

Espaço da ética….Prof.Celso: Ganha-Ganha.

21 de abril de 2010

Em uma das aula em que estudávamos os tipos de discursos científicos, deparei-me com o seguinte ensaio de autoria do francês Michel Eyquem de Montaigne: “De como o que beneficia um prejudica o outro”

“Demade, de Atenas, condenou um homem de uma cidade que comerciava coisas necessárias aos enterros, acusando-o de tirar disso lucro excessivo, somente auferível da morte de muitas pessoas. Tal julgamento não me parece muito equitativo, pois não há benefício próprio que não resulte de algum prejuízo alheio e, de acordo com aquele ponto de vista, qualquer ganho fora condenável.

O mercador só faz bons negócios porque a mocidade ama o prazer; o lavrador lucra quando o trigo é caro; o arquiteto, quando a casa cai em ruínas; os oficiais de justiça, com os processos e disputas dos homens; os próprios ministros da religião tiram honra e proveito de nossa morte e das fraquezas de que nos devemos redimir; nenhum médico, como diz o cônico grego da antiguidade, se alegra em ver seus próprios amigos com saúde; nem soldado, seu país em paz com povos vizinhos. Assim tudo. E, o que é pior, quem se analisa a si mesmo verá no fundo do coração que a maioria de seus desejos só nasce e se alimenta em detrimento de outrem. Em se meditando a propósito, percebe-se que a natureza não foge, nisso, a seu princípio essencial, pois admitem os físicos que coisa nasce, se desenvolve e cresce em consequência da alteração e corrupção de outra: “Logo que uma coisa qualquer muda de maneira de ser, disso resulta imediatamente a morte do que ela era antes.” (“De como o que beneficia um prejudica o outro”)

Tão logo acabei de ler o texto, principalmente a conclusão no sentido de que o que beneficia um sempre prejudica o outro, me veio à cabeça a expressão ganha-ganha. Pena que Montaigne não tivesse tido a oportunidade de conhecê-la. Expressão que consta como um dos hábitos das pessas altamente eficazes de Stephen R. Covey, segundo o qual “pensar em ganha/ganha é um estado de espírito que busca o benefício e o respeito mútuos em todas as relações humanas. É pensar em termos de abundância e oportunidades, e não em escassez e competições.”

Particularmente, nas minhas aulas, sempre defendo a postura do ganha/ganha no sentido de que, para me dar bem ou fazer uma boa negociação, eu não preciso que a outra parte saia no prejuízo.

E, sempre invoco uma célebre passagem de Malba Tahan, do livro “O homem que calculava”. Para mim, a melhor síntese do ganha/ganha:

“Beremiz viajava com um amigo pelo deserto, ambos montados em um único camelo, quando encontram três homens discutindo acaloradamente.

Eram três irmãos. Haviam recebido uma herança de 35 camelos do pai, sendo a metade para o mais velho, a terça parte para o irmão do meio e a nona parte para o irmão mais moço. O motivo da discussão era a dificuldade em dividir a herança:

O mais velho receberia a metade.

Acontece que a metade de 35 camelos corresponde a 17 camelos inteiros mais meio camelo!

O irmão do meio receberia a terça parte, ou seja, 35 dividido por 3, o que resulta em 11 camelos inteiros mais ²/3 de camelo!

O caçula receberia a nona parte de 35 camelos, ou seja, 3 camelos inteiros e 8/9 de camelo!

Naturalmente, cortar camelos em partes para repartir a herança seria destruí-la. Ao mesmo tempo, nenhum irmão queria ceder a fração de camelos ao outro. Mas o sábio Beremiz resolveu o problema. Vejamos o que ele propôs:

- Encarrego-me de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que, em boa hora, aqui vos trouxe.

Os camelos agora são 36 e a divisão é fácil:

. o mais velho recebe: ½ de 36 = 18

. o irmão do meio recebe:1/3 de 36 = 12

. o caçula recebe: 1/9 de 36 = 4

Os irmãos nada têm a reclamar. Cada um deles ganha mais do que receberia antes. Todos saem lucrando.

Todos lucraram? E nosso heroi Beremiz, que perdeu um camelo?

Ouçamos de novo nosso matemático:

- O primeiro dos irmãos recebeu 18, o segundo, 12 e o terceiro, 4. O total é 18 + 12 + 4 = 34 camelos. Sobram, 2 camelos. Um deles pertence a meu amigo. Foi emprestado a vocês para permitir a partilha da herança, mas agora pode ser devolvido. O outro camelo que sobra, fica para mim, por ter resolvido a contento de todos este complicado problema de herança.”

Espaço da Ética…Prof.Celso: Ideias e Ideais.

05 de abril de 2010

1. Neste ano finalmente consegui colocar em prática um ideal. Explico. Tenho a firme convicção de que a construção de uma sociedade melhor, leia-se também mais ética, tem a força de seu alicerce na educação do seu povo. Aliás, penso se tratar que essa força aumenta em proporção direta à da educação. Pois bem, começei o meu mestrado e justamente na área da Educação. Claro que, diante de minha experiência e formação jurídica, procurarei pesquisas de alinhamento entre as duas áreas.

E não é que, logo no primeiro Seminário da disciplina Fontes Normativas de Políticas Públicas em Educação, surgiu o tema do sistema de cotas para ingresso nas Universades. Coincidentemente, na mesma semana que se abria a audiência pública no Supremo Tribunal Federal sobre o tema. Teses a favor e contra não faltam. Desde simples opiniões racistas até os mais rebuscados estudos lógicos-matmáticos das consequências do sistema de cotas na sociedade. Parece-me que uma ponto indiscutível foi o fato de ter existido a escravidão com consequências desiguais na evolução em sociedade das raças. Por conta deste fato, tinha a impressão de que seria lógica e justa a existência do sistema de cotas. E não é que existem vários negros contra este sistema, inclusive a mim me afirmado por uma educadora da raça negra? Diante deste fato, novo para mim, fiquei sem saída e com uma única sugestão para resolver o tema: que seja feito um plebiscito somente entre os negros e que estes decidam se querem ou não o sistema de cotas.

2. Outro dia recebo em minha casa, juntamente com o jornal “ O Estado de São Paulo”, o jornal “ A Folha de São Paulo”, juntos na mesma embalagem. Logo sonhei: demitiram o Sarney e posso voltar a ser assinante… Infelizmente não, mas por outro lado se tratava de uma propaganda de marketing do Santander-Real, a campanha da ideia do Juntos… Sensacional ! Realmente poucos se dão conta da força do JUNTOS. VAMOS FAZER JUNTOS ?

3. Foi com indignação que assisti ao tratamento dispensado por populares ao advogado de defesa do caso Isabella Nordoni. A esse propósito, considerei muito propícia, pelo momento e pela proximidade da Semana Santa, a afirmação de uma assinante que li num jornal:

“ Antes da crucificação de Jesus Cristo, Pilatos perguntou ao povo: ‘Jesus Cristo ou Barrabás ?’ O povo exclamou: ‘Barrabás!’. E Jesus foi crucificado. A voz do povo é a voz de Deus? Ainda bem que hoje em dia existe o devido processo legal.”

4. Sem contrato, cabeça tranquila e um mundo melhor:

Cena 1: Estou, juntamente com uma jovem advogada, atendendo a um casal no escritório. A moça do casal é a terceira geração de uma família para a qual já prestei alguns serviços. Após relaterem o problema e a pretensão, procurei transmitir polidamente que entendia a legitimidade do interesse do casal, mas que não poderia aceitar o caso por entender infrigir questões éticas. O casal entende e agradece. Após saírem, pergunto à jovem advogada: Você achou que pegaríamos o caso?, no que ela prontamente respondeu: “Não tinha a menor dúvida que o Dr. não aceitaria o caso, caso contrário não estaria neste escritório.”

Cena 2 – Recebo a visita de um antigo cliente que hoje reside em outro Estado. Ele me apresenta um caso de dissolução de sociedade e disposto a me contratar imediatamente para defender seus interesses na ação a ser proposta. Expus minha convicção no sentido de a contratação de advogados seria, por ora, prematura, e que com alguma habilidade e paciência ele conseguiria resolver o caso sozinho, sem minha interferência, pelo menos no atual estágio da situação. Depois de refletir, ele diz mais ou menos o segunte: Concordo com você e é exatamente por isso que o escolhi com advogado e venho de longe para contatá-lo. Deixou seu interesse de lado, receber honorários, para pensar no melhor para mim. Obrigado”.

Espaço da Ética…Prof.Celso: Máquinas ?

21 de janeiro de 2010

Em um dos últimos dias de trabalho no ano passado, mantive uma conversa com um prestador de serviços da CLJ Advogados, que me deixou com um gosto amargo na boca. Isto porque, na oportunidade, eu comentava sobre uma reportagem na Revista Piauí sobre o ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos. Expliquei os casos milionários confiados ao advogado e sobre o seu papel no Governo Lula, inclusive com as indicações de Ministros ao Supremo Tribunal Federal. Foi aí que o meu interlocutor exclamou: É por isso que eu não acredito na Justiça! Imediatamente pedi explicação, no que ele foi venal: “Ora, se o tal advogado ajudou várias pessoas a se tornarem Ministros do Supremo Tribunal Federal, é óbvio que ao julgarem casos patrocinados por ele, retribuiriam toda gratidão e assim não seriam imparciais.” Em vez de tentar argumentar, preferi perguntar qual seria a solução. No que ele rapidamente respondeu: “…deixa os computadores julgarem, eles não têm amigos, não devem favores para ninguém e julgariam somente com a razão!” A conversa teve que ser interrompida e fiquei a pensar como alguém poderia preferir a justiça das máquinas à dos homens?

Passados alguns dias, ou melhor, no último dia do ano, leio um artigo do Luis Fernando Veríssimo intitulado o “Futuro do GPS”. E após relatar o avanço do GPS acaba por arrematar, um trecho que fiz questão de anotar: “E não é impossível que, com o tempo, surja uma espécie de GPS moral, um sistema de orientação não para veículos, mas para gente, que mostre o caminho a ser seguido, os desvios éticos a serem evitados e a melhor saída para qualquer ‘rotunda’ de incertezas que possa nos comprometer. O aparelho não seria maior do que um celular que cada um carregaria no bolso ou na bolsa. Porque a verdade é que todos os nossos antigos sistemas de orientação – o religioso, o familiar, o jurídico, o filosófico – falharam, somos uma geração à deriva, sem giroscópio. Com o aperfeiçoamento do GPS seríamos guiados por uma entidade superior que tudo vê e tudo sabe, um satélite estacionário sem nenhuma dúvida sobre o que é certo e o que é errado e o que nos convém. Bastaria levar o aparelho ao ouvido e escutar seus conselhos. Na voz que escolheríamos.”

Nossa… tanto o prestador de serviços quanto o escritor que tanto admiro, ambos confiando a justiça e a ética nas máquinas!! Já não bastasse o imbecil (desculpem, mas foi o termo mais gentil que consegui) do Arruda para me deixar de baixo astral no final do ano !

Foi aí que, como por um milagre, revendo alguns e-mails no primeiro dia do ano que encontrei uma mensagem enviada por um amigo sobre um fato que aconteceu em um curso de Engenharia da USJT (Univ. São Judas Tadeu), tornando-se logo uma das ‘lendas’ da faculdade.

Na véspera de uma prova, 4 alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar juntos. Faltaram à prova e então resolveram dar um ‘jeitinho’.

Voltaram na USJT, na terça, sabendo que a prova havia ocorrido na segunda.

Então, dirigiram-se ao professor:

‘- Professor, fomos viajar, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas, e por conta disso tudo nos atrasamos, mas gostaríamos de fazer a prova’.

O professor, sempre compreensivo:

- Claro, vocês podem fazer a prova hoje à tarde, após o almoço.

E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e racharam de tanto estudar, na medida do possível.

Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente, sem qualquer meio de comunicação com o mundo externo e entregou a prova:

Primeira pergunta, valendo 0,5 ponto: Escreva algo sobre ‘Lei de Ohm’.

Os quatro ficaram contentes, pois haviam visto algo sobre o assunto.

Pensaram que a prova seria muito fácil e que haviam conseguido se dar bem.

Segunda e última pergunta, valendo 9,5 pontos :

‘Qual pneu furou?’

Referida “lenda” me trouxe o conforto de saber que muito mais do que a lógica das máquinas, precisaremos da criatividade dos homens bons, nem que for para criar máquinas mais justas e éticas.

Espaço da Ética….Prof.Celso: Piadas.

16 de novembro de 2009

Todas as palestras e livros motivacionais que já li, e não foram poucos, de forma unânime enfatizam o humor como uma característica infalível da qualidade de vida e do bem viver. Existem até estudos científicos indicando que o riso diminue estresse e ansiedade, reforça a imunidade, relaxa a tensão muscular e diminui a dor. A medicina moderna está começando a levar vantagens destes efeitos positivos: crianças hospitalizadas que veem palhaços brincando permancem menos tempo nos hospitais que aquelas que não veem.

A piada constitui uma das mais conhecidas formas de humor. Todo mundo tem sempre uma piada na ponta da língua para ser contada.

Existem livros de piadas, sites de piadas, e-mails de piadas… sim, e-mails, muitos e-mails de piadas que invadem as caixas de entrada ininterruptamente.

A própria CLJ Advogados possui em seu informativo/blog “Livre Arbítrio” um espaço denominado “Rir é o melhor remédio” onde são colocadas piadas, na maioria das vezes, remetidas por clientes, amigos e leitores.

Não raro encontro algum leitor que logo dispara: “Adorei a última piada do Livre Arbítrio!” Sem contar o grupo dos confessos leitores que dizem que. ao receberem o “Livre Arbítrio.” logo leem a piada e….param por aí.

Particularmente, eu sempre tive algumas ressalvas quanto às piadas, principalmente piadas de advogados.

Isto porque, 99,9% das piadas sobre advogados que conheço apenas servem para denegrir a imagem da profissão: ou o advogado é ladrão, ou corrupto, ou quer levar a vantagem e assim por diante.

E estas piadas, sempre contadas e repetidas, acabam por criar uma imagem. É, mais ou menos, aquela ideia defendida pelo nefasto Joseph Goebbels (ministro do Povo e da Propaganda de Adolf Hitler) de que uma “mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Ano após ano, na minhas aulas de ética profissional, eu reservo um aula para debater com os alunos esta minha posição, inclusive, no primeiro semestre deste ano, cheguei a lançar um desafio para a classe no sentido de que quem contasse uma piada de advogado que não desabonasse a imagem do profissional, ganharia um ponto na prova. Isso mesmo, um ponto na prova por uma piada!

Incrível que, na hora em que o desafio foi lançado, ninguém levantou a mão ou se aventurou em contar uma piada. Somente duas aulas depois é que um aluno contou uma piada, que lhe fora contada por um tio e ganhou um ponto. A piada foi mais ou menos essa:

“ Um juiz, um promotor e um advogado estavam andando no deserto, acham uma garrafa mágica, esfregam e sai um gênio. O gênio diz que estava muito tempo preso na garrafa e diz que como são três pedidos, atenderia apens um desejo de cada um. O juiz disse que queria ir para um lugar onde só tivesse juiz, para onde todos os juízes fossem levados, assim lá todos se entenderiam e o mundo seria melhor. Desejo atendido. O promotor, na mesma linha, desejou um lugar onde tivesse apenas promotor. Outro desejo atendido. Aí chegou a vez do advogado, que pensou, pensou e disse: Não tenho nenhum desejo, afinal os que me atrapalhavam já foram embora mesmo…”

Mas, esta semana eu acabei descobrindo que há um outro tipo de piada que é mais venal que as piadas sobre advogados. São as piadas sobre as tragédias e problemas socias. A passividade e anticidadania do povo brasileiro chegou no temido ponto em que uma tragédia ou problema social, ao invés de serem tratados com manifestações, protestos, indignações, apuração de responsabilidades, acabam em piadas.

Na última quarta-feira ao chegar no escritório, absolutamente indignado com a noite de apagão elétrico, ligo o computador e o primeiro e-mail que entra no meu computador tem como assunto/ título: estagiário.

Abro o e-mail pensando se tratar de alguma indicação de estagiário (que sempre é bem vinda) e para minha surpresa estava escrito: “Aí disseram para o estagiário de Itaipu: Quando sair apague tudo”.

Como sempre tenho em mente a ideia de que propor alternativas é melhor do que criticar, proponho que cada vez que ocorrer uma tragédia ou problema social, nós cidadãos ao invés de fazermos “circular” piadas, enchamos as caixas postais dos Governantes com e-mails de críticas, cobranças, sugestões etc. Ou que tal amazernamos estes fatos, como guardamos as piadas, para refletirmos na hora de votar?

Enfim, muito mais do que o “pais da piada pronta”, precisamos ser o pais da pronta cidadania.

Espaço da ética…Prof.Celso – Mestres da nossa vida.

04 de outubro de 2009

Este é um tema do qual pensei que, pelo menos tão cedo, não escreveria: mestres das nossas vidas. Mas a vida prega as suas peças e cá estou, muito honrado pelo convite feito por uma editora, a pensar sobre um mestre da minha vida.

Claro que no começo mil pessoas passam pela sua cabeça, desde os mestres espirituais, passando pelos pais, um tio que sempre filosofou comigo e pelos professores que tive. E olha que não foram poucos, pois além do ensino infantil, fundamental e médio, foram dois cursos de graduação e mais dois cursos de especialização e um MBA.

Para dificultar, existem ainda aqueles mestres que, mesmo sem saberem da sua existência, ou ao menos ter tido algum tipo de contato físico, você acaba “bebendo de suas fontes”, e assim é e sempre será a minha relação com Aristóteles, Machado de Assis e Rubem Alves, entre outros.

Também há aqueles mestres que, mesmo não estando dentro de uma sala de aula, contribuem, e muito, para a sua vida: são aqueles profissionais com quem você tem a grande felicidade de aprender na prática, começando pelo primeiro emprego (no meu caso, foi caixa de banco), passando pelo período de estágio e assim por diante.

De tantos mestres, tenho certeza de que a vida não é feita de um mestre só.

No meu caso, talvez o mais natural em termos profissionais fosse a escolha de um professor da área jurídica, um que talvez me fascinasse por toda a sua experiência e sabedoria, como Diógenes Gasparini ou um que me encantasse com sua jovialidade e inteligência, como Oreste de Souza Laspro. Ou, quem sabe, um que mesclasse toda a experiência com a sua sempre jovialidade, como a professora Maria Garcia.

Mas eis que, mesmo reverenciando e sendo eternamente grato pela diferença que todos os citados e os não citados fizeram na minha vida, parei e pensei com o coração, este coração que pulsa dentro da gente e bombeia o sangue que nos dá vida.

Sim, em um momento de profunda reflexão perguntei a mim mesmo: quem foi o mestre que me deu a vida, pelo menos em termos da minha formação pessoal e profissional?

E eis que surgiu um nome, o de Wilson D’Angelo Braz, mas que para seus alunos e para mim será eternamente o Professor Wilson. Sim, um mestre que me deixou marcas profundas e contribuiu de maneira decisiva para a minha vida pessoal e profissional.

O professor Wilson foi o meu professor de português no colegial, hoje ensino médio, dos meus tempos de estudante no Colégio Visconde de Porto Seguro.

As aulas do professor Wilson não só me fascinavam pelo ensino do vernáculo culto ou da literatura mágica, mas também pelas inúmeras lições de vida que compartilhava no transcorrer das aulas. Não sei se pela sua formação de seminarista ou seu profundo conhecimento da língua culta, o fato é que eu como criança/adolescente tinha interesse em aprender, interesse em escutá-lo, como se ele me desse em sala de aula a minha “caixa de brinquedos” de que tanto fala o educador Rubem Alves.

Para mim, era uma alegria constatar no diário que no dia haveria aula do professor Wilson, não via a hora de ele chegar na sala de aula e dizer o sonoro “Turma”… enfim sabia que não passaria um dia em branco e que, neste dia, dormiria mais sabido de que o dia anterior.

Talvez a grande diferença foi que o professor Wilson não só impunha respeito pelo seu conhecimento, como também por tratar os seus alunos do mesmo nível e, nos levando a sério, deixava a conversa fluir, muitas vezes como verdadeiras prosas.

Por incrível que pareça, da minha época de colégio guardo apenas um livro, justamente o “Manual de Português” da Livraria Salesiana Ltda., de co-autoria do Professor Wilson.

Não é sem razão que, das minhas lembranças de adolescência, lembro-me de uma viagem que fiz com o meu pai, do colégio até Valinhos-SP e que, após ele me apanhar no colégio, fui a viagem inteira comentando a aula do Professor Wilson.

Há também curiosidades, como a lembrança de ter estreitado minha amizade com um rapaz de nome Roberto, que estudava em outra sala, por ter sido um dos poucos alunos a conseguir uma nota 10,0 na prova de redação do professor Wilson.

Certamente foi graças ao professor Wilson e incentivo da minha mãe que peguei essa minha paixão pelos livros. Como também, não tenho a menor dúvida, de que o Professor Wilson foi um dos que mais me influenciaram na escolha da minha profissão de advogado, profissão esta que enfrentaria e enfrento com as duas grandes armas a mim confiadas pelo Professor Wilson: o caráter e o uso da nossa língua, tanto a falada como a escrita.

Concordo totalmente com Pablo Picasso quando ele diz que “há pessoas que transformam o sol em uma pequena mancha amarela, porém há as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol”.

O Professor Wilson foi uma delas, que soube irradiar as luzes deste sol sobre a vida de muitas pessoas, dentre estas a minha.

Espaço da Ética…Prof.Celso – Pequena Reportagem, grande lição.

01 de outubro de 2009

Artigo muito bom para refletir….

 Pequena reportagem, grande lição. Por José Ricardo Zani em 22/9/2009 (Observatório da Imprensa)

 A TV Globo mostrou, em rede nacional, uma reportagem do telejornal MGTV, de 14 de setembro, com pouco mais de um minuto de duração, tratando de acidente com uma carreta que capotou na BR-040. Um só veículo envolvido e nenhuma morte. Mas milhões de feridos.

É dessas matérias que mostram mais do que a tela exibe. Dizem mais do que se ouve, para quem ouve as reflexões da consciência. Ensinam mais do que informam, para quem tira grandes lições de pequenos episódios.

Ao capotar numa curva, na região de Itabirito, a carreta atirou ao chão uma valiosa carga de equipamentos eletrônicos. Ao perceberem tanta mercadoria no chão, os que por ali passavam foram parando e atacando. Carregaram o que coube nos porta-malas. Só não contavam com a rápida ação da Polícia Rodoviária Federal, que montou blitz em outro ponto para deter os espertalhões. Em pelo menos 16 veículos a polícia encontrou produtos retirados da carga.

Esse é o ponto que mais chama a atenção. Os saqueadores não eram pobres famintos em busca de alimentos. Eram viajantes, conduzindo bons modelos de carros, entre os quais alguns de luxo, como se via pelos bancos de couro e outros detalhes. A matéria termina com um agente da Polícia Rodoviária explicando, em tom indignado, que alguém é legítimo proprietário daquela mercadoria e a ação dos motoristas configura furto. Configura mais. Para falar com sinceridade, a reportagem mostra algo de nós. O que ali se viu, não é comportamento isolado, mas a velha esperteza sem ética, que não enxerga delito quando os beneficiados somos nós, quando o oportunismo seduz nossa mania de levar vantagem ou outros impulsos menos inocentes.

O retrovisor da autocrítica social

Uma curta matéria para longas reflexões, com cenas que ajudam a explicar históricas perguntas que não calam: por que temos tantos maus políticos, incapazes de resolver problemas nacionais, mas hábeis para saquear recursos públicos? Ora, políticos não são seres produzidos em laboratórios, segundo fórmulas perfeitas. São apenas pessoas nascidas e criadas entre nós e com valores semelhantes aos nossos (é claro que muitos pioram sob o efeito do poder). Para se tornarem políticos, são alçados por critérios que não colocam em primeiro lugar a honestidade e a ética. Ao contrário, às vezes priorizam a disposição para compactuar com a falta de escrúpulos.

Algum dia isso terá fim? Em última análise, a resposta mais segura é: quando nós mudarmos. Quando nos tornarmos pessoas melhores, produziremos melhores sementes, que irão gerar melhores frutos. Por mais que nos desagrade admitir, o fato é que, em maior ou menor medida, os saqueadores, os políticos e todos nós somos frutos das mesmas raízes culturais.

Enfim, a matéria se destaca pelo que não diz: um acidente com milhões de feridos na auto-estima pelo choque com evidências que gostaríamos de evitar. Uma espetacular derrapagem ética que nos coloca de frente para o retrovisor da autocrítica social.