Blog - Livre Arbítrio

O Livre Arbítrio informa, imparcialmente, todos os assuntos, mas é um agente desafiador a favor da ética, da moralidade e da justiça. Tratamos de assuntos da área do direito, mas temos momentos de descontração, de cultura, de risos, de curiosidades...

Nosso Vernáculo: “Questão de pontuação”.

22 de agosto de 2010

 

“Todo mundo aceita que ao homem

cabe pontuar a própria vida:

que viva em ponto de exclamação

(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação

(foi filosofia, ora é poesia);

viva equilibrando-se entre vírgulas

e sem pontuação (na política);

o homem só não aceita do homem

que use a só pontuação fatal:

que use, na frase que ele vive

o invitável ponto final.”

(MELO NETO, João Cabral de. Museu de tudo e depois. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1988.)

Nosso Vernáculo: Sutileza da Língua Portuguesa ou A Estranha Beleza da Língua Portuguesa.

27 de junho de 2010

Este texto é um dos melhores registros de língua portuguesa  sobre a nossa digníssima ‘língua de Camões’, a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira.

Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:

- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reune ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:

- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa?

O candidato respondeu:

- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui;

A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.

De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e ‘atira’:

- Senhor postulante, aspirante ou candidato: o fato, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado, não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca. Estou nesta situacao, estado ou jeito por causa de políticos como você, pois sou um educador, mestre, professor……..

E com todo a reverência, estima ou respeito que o senhor merece, pode ir agrupando, reunindo ou juntando os seus haveres, coisas ou bagulhos e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à p— que o pariu!

obs.  recebido por email de Daniela Hausch

Nosso Vernáculo: 30 DICAS PARA ESCREVER BEM.

21 de abril de 2010

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??… então, valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17.A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar, chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!… nada de mandar esse trem… vixi… entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Autoria atribuída ao Professor João Pedro, da UNICAMP.

Nosso Vernáculo: Língua de Sinais Brasileira (Libras).

05 de abril de 2010

De olho na inclusão dos quase 6 milhões de brasileiros surdos ou com deficiência auditiva, a Editora da USP lançou recentemente o Novo Deit-Libras: Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira (Libras) Baseado em Linguística e Neurociências Cognitivas. O livro foi organizado pelo professor Fernando César Capovilla, do Instituto de Psciologia da USP, em parceria com as pesquisadoreas Walkiria Duarte Raphael e Aline Maurício.

A legislação brasileira determina que a Libras deve ser ministrada como disciplina obrigatória em todos os cursos de licenciatura, bem como nos cursos de Fonoaudiologia, Pedagogia, Educação Especial , Normal e Normal Supeiror, além de em todos os demais cursos superiores como disciplina optativa.

“ Intérprete” é o termo utilizado para os profissionais que fazem a tradução da língua portuguesa para a LIBRAS e vice-versa. É preferível esse termo a “tradutor” porque a interpretação sempre será fieta em situaçãoes face-a-face, isto é, ao vivo, geralmente envolvendo oralidade. Já a tradução é um processo mais planejado, no qual uma das línguas envolvidas geralmente está na forma escrita.

Feneis é a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. A Feneis e o Ines, Instituto Nacional de Educação dos Surdos, são considerados os principais órgãos de apoio aos surdos brasileiros e ambos gozam de grande prestígio. Mais informações sobre a atuação das entidades podem ser encontradas nos seus sites, respectivamente: www.feneis.org.br/page/ e www.ines.gov.br

Fonte: Jornal da Usp nº 899 e Revista Língua Portuguesa número 22

Nosso Vernáculo: O hífen nas onomatopeias.

22 de janeiro de 2010

É preciso cuidado redobrado na hora de grafar palavras onomatopaicas, já que muitas delas não foram contempladas pelo acordo ortográfico.

- Blá-blá-blá

- Bombom

- Lega-lenga

- Lengalengar

- Nhém-nhém-nhém

- Reco-reco

- Tique-Taque

- Tiquetaquear

- Tintim por tintim

- Zas-trás

- Zigue-zague

- Ziguezaguear

- Zum-Zum

- Zunzunar

Fonte: Revista Língua Portuguesa

Nosso Vernáculo: Um texto em Português sem a presença da letra A.

13 de dezembro de 2009

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.

Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.

Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o “E” ou sem o “I” ou sem o “O” e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o “P”, “R” ou “F”, o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.

Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

Autoria Desconhecida.

Nosso Vernáculo – Singular e Plural: 4 erros comuns.

28 de outubro de 2009

1 – Eram “caráteres” divergentes.

O plural de caráter é caracteres: Eram caracteres divergentes.

Mau-caráter segue a norma: Convivia com maus-caracteres.

2 – Comprou “CD’s” e “DVD’s”.

O plural de siglas se faz pelo acréscimo de um s minúsculo, sem apóstrofo:

Comprou CDs e DVDs

Cinco PMs fizeram a segurança da reunião.

3 – Raios “ultravioletas”

Violeta é substantivo e, por isso, o derivado não varia: raios ultravioleta.

Não faça confusão com raios infravermelhos ou radiações infravermelhas, em que vermelho se flexiona por ser adjetivo.

4 – Tirou a prova dos “nove”

Números, quando substantivados, têm plural: Tirou a prova dos noves.

Noves fora. Retirou os cincos do baralho. Faltavam os oitos no bingo.

Nosso Vernáculo – Paraná ataca o estrangeirismo.

04 de outubro de 2009

Termos estrangeiros na linguagem cotidiana desvalorizam a língua portuguesa e aumentam a exclusão social? O governo do Paraná acha que sim. Aprovado em primeira votação, em 13 de julho, pelos deputados estaduais, o projeto de lei 16.177 obriga a tradução de estrangeirismos em propagandas paranaenses. Ela deve ter o mesmo destaque dos termos estrangeiros usados. O descumprimento significa multa de R$ 5 mil, duplicada a cada nova infração.

Se passar pela segunda votação, a medida será sancionada neste ano pelo governador Roberto Requião (PMDB), cuja defesa é cristalina: um termo gringo é excludente e afronta a Constituição, que define o português como idioma oficial e a soberanaia como um fundamento da República.

A iniciativa não se iguala – em alcance e ambição – ao adormecido mas vivo projeto de lei de Aldo Rebelo (PMDB), que prevê a abolição do estrangeirismo no país. E lembra a já esquecida ação ajuizada pelo procurador Matheus Magnani, de Guarulhos (SP), que em 2006 queria exigir tradução do inglês usado nas vitrines paulistas.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, em dezembro de 2007, o projeto de Rebelo, que impõe a tradução, em igual destaque, de termos estrangeiros em publicidade ou informes comerciais, e expurga o inglês dos documentos da administração pública. O projeto, aprovado pelo Senado, vai a plenário na Câmara, mas sem data para ser apreciado.

Fonte: Revista Lígua Portuguesa n. 47