A função do revisor não é das mais gratificantes. Aliás, o revisor pode ser encontrado junto com os auditores da piada dos tijolos. Afinal de contas, a criação passa longe daqui. Todos os demais integrantes do escritório queimaram inúmeros neurônios para produzirem artigos novos. Tiveram de se esforçar para apresentar algum texto cuja mensagem pudesse ser, de algum modo, relevante para o interesse dos leitores deste informativo. Alguns tendem a ser rebuscados, outros objetivos, mas todos têm em comum o traço da inventividade. O revisor, não. Aliás, nunca.
A única função de quem revisa é justamente essa. Ler o que já foi feito e, na ânsia de tentar dar seu pitaco, mostrar que leu, que entendeu, que gostou, sugerir mudanças aqui e acolá. Quando o problema foi de digitação ou mesmo de concordância ou atenção ao novo acordo ortográfico, nem é caso de sugestão, mas de imposição imediata do corretivo. Mas às vezes o texto escrito tem duplo sentido, pode significar uma coisa ou outra, e até as duas coisas, e –droga!– o revisor é obrigado a contatar o escritor-criador e pedir a ele que aponte o caminho que quis trilhar. Não compete ao revisor escolher o caminho querido pelo autor.
Mas eis que surgiu inédita e inaudita oportunidade. O dono deste espaço, sem motivo aparente, decidiu que não tinha inspiração alguma e que as palavras deste Livre Arbítrio deveriam se calar nesta edição. Em que pese os gênios e os artistas sempre serem incompreendidos, e este é o caso do Marcelo, ele também tem que entender que não se pode permitir que um informativo saia de qualquer jeito, isto é, sem completar a coluna dele.
(Quer dizer. Bem, se nesta quinzena o espaço fosse aquele da Ética, assinada pela alta direção… bom, aí certamente este revisor ficaria na sua e entenderia perfeitamente que não era para sair nada neste espaço mesmo, que estava tudo certo e coisa e tal. Mas como o espaço não é o da Ética, ou melhor, não é o do Dr. Celso, então eu achei que não teria nada de mais eu escrever alguma coisa por aqui…)
Ora, nenhum jornal ou informativo no mundo pode sair incompleto! E, já que o dono do espaço saiu de fininho, que mal haveria em substitui-lo, ainda que à sua revelia? Nenhum. Aliás, talvez com isto até haja assunto para ele falar no mês que vem…
Mas veja só que coisa… o revisor é mesmo alguém sem criatividade alguma! Não serve nem mesmo para estepe de escritor. Afinal, acabou que não escreveu nada de novo. E, pela falta de escrever por conta própria, sequer tem estilo para, ao menos, fechar o artigo de modo inteligente ou criativo. Ao menos desta vez não foi difícil revisar o texto…