PERGUNTA
“Na edição 93 há uma informação que não entendi. Se puderem me eslarecer, ficarei imensamente grato. Na seção “Nosso Vernáculo” ensina-se a forma correta do plural de algumas palavras, e no item 3:
3 – Raios “ultravioletas”
Violeta é substantivo e, por isso, o derivado não varia: raios ultravioleta.
Não faça confusão com raios infravermelhos ou radiações infravermelhas, em que vermelho se flexiona por ser adjetivo.
Meus parcos conhecimentos sobre radiações eletromagnéticas me dizem que tanto a radiação “infravermelha” como a “ultravioleta” representam radiações eletromagnéticas invisíveis. E são invisíveis pois estão fora do intervalo de frequência visível que é limitado pelas cores violeta (azul) e vermelho:
- ultravioleta é uma radiação de frequência superior à do violeta;
- infravermelha é uma radiação de frequência inferior à do vermelho.
A figura ao lado mostra o espectro visível da luz de uma lâmpada. Todas as radiações à esquerda do azul (violeta) ou à direita do vermelho são invisíveis. Assim, eu poderia imaginar que as palavras “violeta” e “vermelho” nos dois derivados deveriam ser classificadas da mesma forma, isto é, como substantivos.
De fato, as radia ções de frequência abaixo do vermelho são invisíveis e, desta forma, não possuem cor. Com isso, não deveríamos dizer “radiação infravermelha”, pois a palavra “vermelha” estaria concordando com o substantivo “radiação” dando-lhe uma qualidade (adjetivo) e informando que aquela radiação tinha a cor vermelha, o que não é verdade (ela é invisível).
Resumindo, em minha opinião o certo seria dizer “radiação infravermelho” (radiação cuja fequência está abaixo da frequência do vermelho) e “raio infravermelho”. O plural seria: “radiações infravermelho” e “raios infravermelho”.”
RESPOSTA
Raio” é substantivo masculino, mas “ultravioleta” (ou mesmo “violeta”) não deve concordar com raio, justamente porque se trata de outro substantivo. Ficamos, assim, com uma locução “raio(s) ultravioletA”. Se violeta fosse considerado adjetivo (assim como vermelho, que é entendido pelos gramáticos como adjetivo), fica obrigado a concordar com o substantivo (vermelho pode ter tanto plural quanto feminino, já violeta não muda (ao menos não em língua portuguesa em seu padrão culto, já que se eu falar “raios violetas” todo mundo vai entender como correto; por outro lado, já tentou convencer alguém a escrever “raios violetOs”?…)
Trata-se de uma das inúmeras exceções às regras de gramática ou mesmo às regras da física. E nem sempre a lógica gramatical segue a lógica da física. E, se em física (isto é, no mundo real), o leitor está coberto de razão, nas descrições linguísticas, às vezes, como nesta situação, há modificações aparentemente inexplicáveis.